Crédito: Chinnapong/istock

Novembro Azul: entenda quais são os fatores de risco e como prevenir.

Esse tipo de câncer é muito incidente em homens a partir dos 65 anos de idade; hábitos de vida podem influenciar no aparecimento da doença

Ao longo do mês de novembro, o movimento Novembro Azul procura disseminar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse tipo de câncer é o segundo mais incidente entre os homens no Brasil, ficando atrás apenas do de pele não-melanoma.

A doença ocorre mais frequentemente na terceira idade, chegando a atingir 75% dos homens no mundo com mais de 65 anos. Como em qualquer outro tipo de câncer, quanto antes o tumor for descoberto, maiores são as chances do tratamento funcionar.

De acordo com o médico Emílio Sebe,  especialista em cirurgias urológicas, os homens precisam estar atentos à prevenção, já que, no início, a doença não apresenta sintomas. “O diagnóstico é fazendo uma consulta com urologista e o médico vai pedir os exames necessários, PSA, Ultrassom e toque retal”, afirma.

O diagnóstico precoce, no entanto, ainda esbarra no estigma e preconceito. Uma pesquisa realizada em 2017 pelo Datafolha, a pedido da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Instituto Oncoguia e Bayer, indicou que 21% dos entrevistados do sexo masculino acreditam que o exame de toque retal “não é coisa de homem”.

Entre aqueles com mais de 60 anos (grupo de risco), 38% disseram não achar o procedimento relevante.

Catraca Livre conversou com o médico urologista Flávio Iizuka, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (TISBU), para entender melhor como a doença se manifesta e como prevenir. Veja abaixo:

O que é a próstata e qual a função dela?

A função da próstata é produzir o líquido seminal ou esperma junto com a vesícula seminal, ou seja, é um órgão  importante para a função reprodutora masculina.

A partir de que idade os homens devem começar a se preocupar com a prevenção do câncer de próstata?

Os homens devem começar a prevenção do câncer de próstata aos 50 anos de idade; aqueles com antecedentes familiares ou negros devem iniciar mais cedo a partir dos 45 anos.

A doença apresenta sinais? Quais?

Nos estágios iniciais ela não apresenta nenhum sinal ou sintoma, daí a importância do check-up preventivo. Se aguardar os sintomas, pode ser tarde demais, e estes sintomas são relacionados ao crescimento local do câncer que obstrui o fluxo de urina, como dificuldade de urinar com jato fino e fraco, ou sintomas relacionados à ocorrência de metástases, que seria o câncer se espalhando pelo corpo como dores ósseas ou confusão mental.

Quais fatores estão relacionados a um maior risco da doença?

Os maiores fatores de risco são:

– Idade: o câncer de próstata é extremamente raro antes dos 40 anos de idade e muito comum após 70 – 80 anos de idade;

– Histórico familiar: um parente direto como pai ou irmão com câncer de próstata mais que duplica o risco;

– Alterações genéticas: algumas mutações têm relação direita com o câncer de próstata, como a Síndrome de Lynch que tem risco aumentado de uma série de cânceres incluindo de próstata;

– Racial: negros tem maior risco de ter câncer de próstata;

– Estilo de vida: ingestão de grande quantidade de gordura de origem animal (carnes vermelhas) e sedentarismo/obesidade aumentam o risco da mesma forma.

Quais exames precisam ser feitos periodicamente a fim de se prevenir a doença?

Recomenda-se a dosagem anual de PSA total e livre, e associado ao exame físico que inclui o toque de próstata. Este exame de toque retal que ainda encontra alguma resistência cultural ainda é necessário porque alguns tipos raros de câncer de próstata, muito agressivos por serem indiferenciados, têm a característica de não alterar o exame de PSA, mas podem ser detectado em estágio inicial já com o toque retal.

Quando um dos dois exames (PSA ou toque retal) estão alterados, o urologista deve prosseguir a investigação. Pode já solicitar um ultrassom transretal com biópsia de próstata que faz a confirmação e diagnóstico final do câncer.

A biópsia de próstata tem evidenciado muitos casos em que a suspeita não se confirma, e que a literatura considera exagerada a quantidade de exames solicitada. Hoje se solicita de forma crescente a ressonância magnética multiparamétrica de próstata que fornece mais informações que podem ajudar o urologista a decidir pela biópsia de imediato ou postergar/cancelar o exame devido resultado deste exame.

Hábitos saudáveis ajudam na prevenção?

Hábitos saudáveis ajudam a prevenir sim. São eles:

– exercícios físicos e evitar sedentarismo;

– dieta saudável evitando excesso de carnes vermelhas com alto teor de gordura; alguns alimentos como a castanha do Pará e tomate ajudam na prevenção do câncer de próstata;

– realizações de exames de check-up periódicos são muito importantes pra detectar a doença em fase inicial em que a doença é curável.

Como é feito o diagnóstico?

Diagnóstico é feito através de biópsia de próstata realizada guiada através de ultrassom transretal, que pode ser feita com ou sem sedação, mas altamente recomendada com sedação para pacientes hipertensos, cardíacos ou ansiosos; a quantidade de fragmentos de próstata retirados com uma agulha especial deve ser discutida com urologista e depende do tamanho da próstata e do nódulo suspeito.

Se diagnosticado câncer de próstata, como é feito o tratamento?

O tratamento do câncer de próstata é feito por duas opções, a mais atraente para indivíduos ‘jovens’, que têm menos de 70 anos, são bastante ativos e têm uma boa expectativa de vida, é a cirurgia chamada de próstata vesiculectomia radical e que hoje é feita através da cirurgia robótica. Seu nível de complicação é muito baixo e os resultados de cura são ótimos e há a ausência dos dois maiores riscos para o paciente, que é a incontinência urinária e a impotência após a cirurgia radical.

Existe também a possibilidade de realizar a cirurgia através de laparoscopia e a cirurgia aberta, que é a mesma cirurgia, mas feita de forma diferente. Hoje, sem dúvidas, existe a cirurgia robótica assistida, que tem os melhores resultados práticos.

A segunda opção de tratamento é a radioterapia que pode ser tanto externa conformacional que é feita nos melhores hospitais, com índice de cura muito similar à cirurgia radical e que no Brasil não é muito indicado, mas tem uma predileção em muitos países, como na Europa. A maioria dos pacientes na Europa são tratados com radioterapia e o nível de cura é muito similar à cirurgia.

A radioterapia tem alguns inconvenientes e pode provocar sintomas chatos para o paciente, principalmente, a cistite e a retite actínica – que seria a inflamação na bexiga e no reto por causa da exposição à radiação. Há alguns sintomas desagradáveis como: a cistite que provoca a vontade de urinar com frequência, urgência miccional, que parece que vai fazer na roupa; pode ter um pouco de sangramento ao urinar; há o aumento da frequência urinária e acordar a noite para fazer xixi. E a retite, inflamação do reto pela radioterapia, causa uma inflamação no reto que provoca puxo e tenesmo, sintomas descritos como vontade de defecar, aquela dor na barriga quando vai ao banheiro, o intestino não funciona, a quantidade de fezes é pequena e isso pode incomodar o paciente.

Claro que tudo tem exceções, mas de forma geral a cirurgia deve ser indicada até 75 anos. A radioterapia é indicada para pacientes com idade mais avançada, perto da idade limite da cirurgia, principalmente, para pacientes que tem uma condição clínica de alto risco de falecimento na cirurgia, com problemas cardíacos ou outros problemas clínicos que podem eventualmente tornar a cirurgia muito perigosa.

Por exemplo, o paciente anticoagulado, que toma remédio que afina o sangue é um paciente clássico de contra indicação da cirurgia. Em alguns locais, ainda tem a braquiterapia, radioterapia interna, onde você coloca sementes de medicamentos dentro da próstata através de agulhas com medicamento que tem uma emissão local de radiação. Esse procedimento também tem finalidade curativa e sobreposição de indicação para pacientes candidatos à cirurgia radical e também a radioterapia externa. Ela não é a primeira escolha, mas é um tratamento alternativo que fica como uma terceira opção de tratamento pela menor oferta e disponibilidade a nível de Brasil, não é uma opção muito recomendada. É algo que tem que ser discutido com especialista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *