– Mitos e Verdades sobre a Vasectomia

A obrigatoriedade de cobertura da vasectomia pelos planos de saúde, instituída no primeiro semestre de 2008, aumentou o interesse de muitos casais pela vasectomia como método anticoncepcional para o planejamento familiar.

            É importante explicar que a vasectomia, ou deferentectomia, é uma cirurgia que deve ser considerada definitiva. A cirurgia de reversão apesar de ser realizada, nem sempre garante bons resultados, especialmente se o tempo decorrido da vasectomia for longo, quando os índices de reversão são da ordem de 50 a 70%. Além disto, deve-se ressaltar que a reversão é uma cirurgia de alto custo e difícil realização, com necessidade de microcirurgia e uso de lupas ou microscópio cirúrgico, o que impede sua realização a nível ambulatorial (consultórios).

            A vasectomia é completamente diferente da castração masculina, pois não interfere na função hormonal de produção de testosterona pelos testículos, e assim, não causa perda de interesse sexual (queda de libido), nem impotência, e nem ganho de peso.

Não existem efeitos colaterais conhecidos decorrentes de realização de vasectomia, assim consideram-se falsos os mitos de que ela aumentaria o risco de andropausa (equivalente masculino da menopausa) ou provocaria maior risco ao câncer de próstata.

            O que se observa na prática, é o homem vasectomizado tem aumento da libido devido menor temor de uma gravidez indesejada.

            A cirurgia de vasectomia é 100% eficaz como método anticoncepcional, desde que documentada com exame de espermograma que indique a ausência total de espermatozóides no sêmem. Este exame deve ser realizado preferencialmente após 20 ejaculações ou 2 meses depois da cirurgia. Antes deste exame, existe o risco real de gravidez, devido presença de espermatozóides nas vesículas seminais que constituem um reservatório natural e que esgotarão os estoques depois de 10 a  20 ejaculações.

            Existem pequenos riscos de complicações para realização de vasectomia, como sangramentos (hematomas) e infecção no local do corte da cirurgia. A complicação mais séria, mas felizmente rara é a Síndrome da Dor Pós-Vasectomia, que é o quadro de dor escrotal persistente após a cirurgia, e pode estar associada a infecções não detectadas no epidídimo (epididimite crônica) ou a congestão dos epidídimos, que são órgãos vizinhos aos testículos e responsáveis pela maturação dos espermatozóides. Em alguns casos, pode ser necessária uma nova cirurgia para retirada dos epidídimos (epididimectomia) para tratamento desta Síndrome.

            Antes de realizar a vasectomia, o casal precisa saber que a lei 9.263 do Ministério da Saúde determina o seguinte perfil: homens casados (ou união estável) com mais de 25 anos e com 2 ou mais filhos vivos. E ainda, deve-se aguardar um período mínimo de 60 dias entre a data da consulta, quando o casal assina o termo de responsabilidade, e a data de realização da cirurgia, para que haja tempo suficiente para uma decisão madura sem riscos de arrependimentos futuros.

            Os casais em dúvida sobre qual método anticoncepcional é mais seguro ou recomendado para cada caso, devem conversar com especialistas, urologistas ou ginecologistas, e buscar informações sobre métodos anticoncepcionais alternativos, como laqueadura tubária e implante de dispositivo intrauterino (DIU).

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